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E de repente, já nos 30...



Domingo, 07.03.10

Bullying

 

 

Ao longo da minha vida escolar assisti sempre a este tipo de organização: existe uma criança que assume a liderança, isto é, decide as brincadeiras e escolhe outra criança (ou mais) para ser a vitima. A vitima tem sempre algo que a torna um alvo mais fácil, é mais frágil fisicamente, é extremamente timida, assume algum comportamento menos usual, chora com facilidade, é mais pobre ou etnicamente diferente, mas principalmente não é assustadora, há algo nessa criança que mostra à outra que ela é o alvo mais fácil, que não vai reagir.

 

Começa então a perseguição, porquê? Porque a criança que quer assumir a liderança sabe que precisa de uma vitima, para reunir o apoio e o receio da maior parte das outras crianças.

 

E porque é que as outras crianças apoiam tal crueldade? Porque enquanto houver uma vitima elas não serão a vitima e porque querem fazer parte do grupo e não correr o risco de serem os excluidos. A maior parte dos seres humanos são capazes de qualquer coisa para se integrarem, para fazerem parte de um grupo.

 

Assisti a este tipo de processo desde a primeira classe, acredito que a violência hoje seja maior e que os meios para a tortura sejam mais eficazes com a internet, mas este não é um acontecimento novo.

O que acontece é que isto de o mundo escolar ser o centro do mundo infantil surgiu há uns 30, 40 anos, até então o mundo familiar era o mais importante para as crianças, não havia aquela ideia de que ser rejeitado na escola era o fim do mundo.

 

Assisti a situações em que uma turma inteira não dirigiu palavra a uma criança durante bastante tempo mas escarnecia dela em todos os intervalos, tive um colega que passou os recreios dentro da sala de aula, durante um ano, para não ouvir os colegas.

 

E percebi desde cedo que esta necessidade de pertença e de criar um inimigo comum que unifique o grupo é um dos grandes males da nossa sociedade - a minha atitude perante isto? Até sair da escola era a anti-social, não era a vitima mas era aquela que não entrava no grupo porque não aceitava o que ele fazia.

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por Sayuri às 21:54


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